23.3.11

A Batalha do Apocalipse (Eduardo Spohr)




voltei a infância ao ler esse livro. Pra mim foi impossível não ver Cavaleiros do Zodíaco representado nas armaduras dos anjos e Dragon Ball Z representado nas lutas exageradas que destroem tudo a sua volta.



O autor desse livro foi muito criativo em imaginar um universo que mistura de forma coesa influências do cristianismo, crenças espiritualistas, paganismo e até mesmo darwinismo. Se você tem um pouco de familiaridade com a bíblia sabe que Deus fez o mundo em sete dias. No quarto dia Deus fez os animais, no sexto fez o ser humano e no sétimo descansou. No universo do romance os dias para Deus (aqui chamado de Yahweh) duram milhares de anos. Durante o quarto e o quinto dia ocorrem a evolução das espécies, no sexto o primeiro homo sapiens surge, Adão, sendo ele e seus sucessores os únicos a receberem uma alma. A história da humanidade está toda dentro desse último dia que quando terminar irá trazer o fim do mundo. Ao termino do sétimo dia Deus irá acordar trazendo o acerto de contas do juízo final.




Das crenças espiritualistas o livro tira a ideia de mostrar um universo amplo cheio de mundos diferentes. Desses mundos exóticos vale destacar Arcadia, o mundo das fadas, elfos e duendes (influência de RPG). Outra influência das crenças espiritualistas é dividir o mundo espiritual em várias camadas. Sendo que as mais básicas são pra espíritos atormentados e perigosos e a última representada por entidades superiores que se tornaram deuses devido a devoção de muitos (aqui entra um pouco de paganismo também).

Durante as mais de 500 páginas o livro se centra no anjo Ablon. Ao decorrer da trama principal envolvendo o fim do mundo, através de flashbacks, o romance mostra o passado do herói. Na maioria das vezes ele aparece com o papel de coadjuvante em alguma passagem da bíblia. As vezes nem tanto, já que no romance ele é responsável pela queda da torre de Babel.



Durante o sono de Deus Miguel se tornou líder do Paraíso. Miguel é um arcanjo tirânico e sentia inveja do amor que os humanos recebiam de seu pai. Por causa disso tentou matar a todos com o diluvio (foi aí que a Atlântida desapareceu). Revoltado contra a crueldade de Miguel para com os humanos, Ablon lidera a primeira revolta no Céu. Sua revolta é contida e ele e seus aliados acabam sendo condenados a ficarem presos no plano terrestre. Só pra constar, no livro, Lúcifer aproveita o ataque de Ablon pra fazer a segunda revolta no Céu. Esses revoltosos é que foram banidos para o inferno (também chamado de Sheol).




Jerusalém, China antiga, Roma, Inglaterra medieval... O romance mostra a passagem de Ablon a esses lugares durante diferentes épocas. O romance é interessante também por ser feito inspirado por obras como O Senhor dos Anéis. O romance tenta ser um épico. Para melhor entender a história o livro vem acompanhado de uma linha de tempo e um pequeno dicionário pra você não se perder nos vários detalhes desse mundo fantástico.



Como todo herói épico, Ablon possui um interesse romântico (a bruxa imortal Shamira) e um inimigo que é seu oposto (Apollyon).

Só por curiosidade, o livro vendeu 4 mil unidades (eu tenho duas, uma autografada e uma para deixar na cabeceira da cama) só pelo site da sua editora, sem a ajuda de livrarias (só começaram a vender em lojas agora), de uma grande editora dando ajuda promocional ou de resenhas em jornais tradicionais. Ou seja, o livro é fruto da internet para pessoas na internet.

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